Falta
Falta
Falta lógica pra entender o vazio.
O oco, o vão, o nada que se faz
onde antes era sorriso, luz, amor.
Falta lógica pra entender o universo
e aceitar as perdas irreparáveis
a falta do olhar, do carinho, do riso.
Falta lógica
e sobra tanta saudade.
Monica San
Postado por Moniquinha às 19:07 0 comentários
Marcadores: Poemas
Minha mãe

Pouca coisa é capaz de calar o coração de um poeta, quase nada. Mas há momentos em que o silêncio e o vazio tornam-se poemas chorosos, versos doloridos, preces em forma de poesia.
Hoje o silêncio fala por mim.
Há um vazio
um hiato que me faz calar a voz
um silêncio que se estende
do antes ao agora
do fio de esperança
à certeza do fim
mas um fim que não encerra
um fim que não é ponto final
é apenas um respirar
uma pausa acentuada
um acostumar-se
à ausência
à saudade
à dor que se faz presente
mas que também se faz força
no amor de quem agora
é minha luz... minha energia
minha fonte de vida!
Minha mãe.
Monica San
(Não há palavra ou poema nesse mundo que preencha esse vazio... só uma rima pro teu nome: amor.)
Postado por Moniquinha às 17:45 1 comentários
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Mea culpa

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Foto: Susie McKay Krieser
Mea culpa
Sou tão egoísta quanto covarde.
Agarro-me às letras,
(anjos redentores ou demônios
sedutores, não sei ao certo).
O certo é que bebo delas até
a embriaguez ou até gozar
em versos toda a sorte de males
que me surtam. Desfloro seus hímens
intactos quando as manipulo
inconsequente e cheia de lascívia.
Tão puras e tenras, maculadas pelo
falo da minha fala.
Pobres anjos
que em suas asas coloridas
carregam o negrume mórbido
das minhas entranhas, corroídas
pela covardia do dia seguinte.
Amanhecer é sempre um bicho de sete cabeças.
Quando endemoniadas
pelas minhas vontades e vaidades,
e pela ausência de lucidez que
me permite ainda amanhecer sem dor,
dançam sobre meu corpo e pisam
o meu sexo fazendo-me arder e
sentir o ventre cheio.
Sinto uma necessidade visceral
de expelir do bucho fecundo
rebentos dos meus devaneios.
Acho mesmo que se apiedam de mim
(elas, as letras)
Por isso ainda me vestem as partes nuas
enquanto eu, ingrata que sou
trato de profaná-las nas mesas de bar
ou em alguma cama sem dono.
Monica San
Postado por Moniquinha às 19:00 2 comentários
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Pisoteando
Piso
te
ando
teu corpo
chão
meus pés
sobre
saindo
tato
ando
vão.
Monica San
Postado por Moniquinha às 14:29 0 comentários
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