12 julho, 2011
Confesso
o que de mais bonito eu sinto
as palavras fingem
e nos versos eu minto
não que eu seja insensível mas
é que me falta o grito!
Monica San
Palavreando
flores são palavras coloridas
farpas são palavras doloridas
o silêncio são palavras perdidas
no vão das palavras não ditas
palavras são flores bonitas
plantadas na ponta da lingua
farpas são flores caladas
no vão do silêncio esquecidas.
palavras são flores
são farpas de amores
plantadas no verso da vida!
Monica San
farpas são palavras doloridas
o silêncio são palavras perdidas
no vão das palavras não ditas
palavras são flores bonitas
plantadas na ponta da lingua
farpas são flores caladas
no vão do silêncio esquecidas.
palavras são flores
são farpas de amores
plantadas no verso da vida!
Monica San
08 julho, 2011
A pulso
07 julho, 2011
De verdades, mentiras e poetas
Se te disserem que a vida é bela
não creia
a vida é uma grande merda, isso sim!
As pessoas são falsas
a política é suja
e a justiça é realmente cega
Isso é coisa de poeta!
Só um poeta seria capaz de mentir
tamanha verdade
ou dizer tamanha mentira
como se verdade fosse
e com a certeza de um sacerdote.
Poetas não são confiáveis
(esta sim é uma grande verdade)
enganam descaradamente
dissimulam sem nenhuma culpa
comovem os fracos
envolvem os românticos
provocam os revoltosos
iludem os crédulos
rimam desgraças com sentimentos
e transformam a vida numa grande orgia
bebendo aos goles as dores alheias
e ainda fingindo não tê-las.
Isso quando não dóem e sangram
em versos angustiados
e miseravelmente tristes
Sabe-se lá quanto de verdade há nisso tudo!
Não se deve confiar a um poeta
um segredo que seja
os lamentos, guarde-os todos a salvo
longe do ladino que em boa prosa
lhe versaria a vida colorida
roubando assim o teu direito às lamúrias
e lhe plantando na face
um sorriso... um mísero sorriso.
O poeta é sempre culpado
sempre sozinho
sempre incompreendido
sempre poeta, apenas.
Mas, atente:
se lhe disserem que a vida é bela
e pior, que o amor existe
e o teu coração teimar em acreditar
respire fundo e conforme-se
você "está" irremediavelmente poeta!
Monica San
não creia
a vida é uma grande merda, isso sim!
As pessoas são falsas
a política é suja
e a justiça é realmente cega
Isso é coisa de poeta!
Só um poeta seria capaz de mentir
tamanha verdade
ou dizer tamanha mentira
como se verdade fosse
e com a certeza de um sacerdote.
Poetas não são confiáveis
(esta sim é uma grande verdade)
enganam descaradamente
dissimulam sem nenhuma culpa
comovem os fracos
envolvem os românticos
provocam os revoltosos
iludem os crédulos
rimam desgraças com sentimentos
e transformam a vida numa grande orgia
bebendo aos goles as dores alheias
e ainda fingindo não tê-las.
Isso quando não dóem e sangram
em versos angustiados
e miseravelmente tristes
Sabe-se lá quanto de verdade há nisso tudo!
Não se deve confiar a um poeta
um segredo que seja
os lamentos, guarde-os todos a salvo
longe do ladino que em boa prosa
lhe versaria a vida colorida
roubando assim o teu direito às lamúrias
e lhe plantando na face
um sorriso... um mísero sorriso.
O poeta é sempre culpado
sempre sozinho
sempre incompreendido
sempre poeta, apenas.
Mas, atente:
se lhe disserem que a vida é bela
e pior, que o amor existe
e o teu coração teimar em acreditar
respire fundo e conforme-se
você "está" irremediavelmente poeta!
Monica San
Antes do ocaso
A vida pede que se tenha sempre
um sorriso guardado na manga
que se fale de esperança
quando tudo pareça perdido
e que não se perca o sentido
daquilo que move montanhas
A vida urge um gesto amarrotado
uma chispa de sonho perdido
ou uma noite de sono
quando o que mais se espera
são dias saindo do forno
com gosto de pão quentinho
e cara lambuzada de mel
dias adocicados e sem culpas
bem paridos na madrugadice
de um tolo poeta
ou rimados com noites quentes
e embriagados de pureza
a pureza de um amor que anda doente.
A vida pede apenas
que não se deixe, que não se morra
antes que o sol cumpra seu curso.
Monica San
um sorriso guardado na manga
que se fale de esperança
quando tudo pareça perdido
e que não se perca o sentido
daquilo que move montanhas
A vida urge um gesto amarrotado
uma chispa de sonho perdido
ou uma noite de sono
quando o que mais se espera
são dias saindo do forno
com gosto de pão quentinho
e cara lambuzada de mel
dias adocicados e sem culpas
bem paridos na madrugadice
de um tolo poeta
ou rimados com noites quentes
e embriagados de pureza
a pureza de um amor que anda doente.
A vida pede apenas
que não se deixe, que não se morra
antes que o sol cumpra seu curso.
Monica San
03 julho, 2011
29 junho, 2011
Lições dessa nossa vida
Sempre que me vejo diante das enfermidades do corpo paro e penso no quanto somos pequenos diante da vida. No quanto somos arrogantes quando nos sentimos maiores ou melhores do que qualquer outro ser habitante deste nosso planetinha. E no quanto somos capazes de minimizar e subjugar a grandeza da nossa alma, esta sim, capaz de abarcar toda a beleza da vida e nos tornar seres muito melhores.
Isso, quando nos permitimos ser alma, mais do que corpo.
Não há respostas fáceis para questões que nos pareçam impossíveis, e talvez tais respostas nem existam, mas buscá-las é sempre um passo adiante.
Monica San
Isso, quando nos permitimos ser alma, mais do que corpo.
Não há respostas fáceis para questões que nos pareçam impossíveis, e talvez tais respostas nem existam, mas buscá-las é sempre um passo adiante.
Monica San
21 junho, 2011
Pequenos segredos
Destas noites assim
nuas de versos
melancólicas e cruas
sabe a pele que se rasga
e os olhos que encerram
órfãos de sonhos bons
destas noites
donde se grita sem voz
e os pés não fazem estrada
mais do que história
bem sabem os lábios
que ressecam versos
e salivam beijos de amor.
Delas, destas
bem mal ditas noites
que a madrugada engole
indigestas e mal paridas
mal sabem os poemas
e as palavras que nunca são ditas.
Monica San
16 junho, 2011
14 junho, 2011
Poesia marginal
12 junho, 2011
Twittando
ai a rotina, ai a mesmice, ai o tédio, tudo tão sempre no mesmo lugar
e eu tão sempre fora de ordem!
e eu tão sempre fora de ordem!
10 junho, 2011
Em curso
Que venha dos teus olhos
a lâmina afiada
e assim
trespassada e cálida
eu me saiba nua.
Que venha dos teus lábios
o verbo que incendeia
e assim
atrevida e impura
eu me saiba tua.
Que venha entremeios
tua carne rente
e assim
confluente em curso
eu te saiba mar.
Monica San
a lâmina afiada
e assim
trespassada e cálida
eu me saiba nua.
Que venha dos teus lábios
o verbo que incendeia
e assim
atrevida e impura
eu me saiba tua.
Que venha entremeios
tua carne rente
e assim
confluente em curso
eu te saiba mar.
Monica San
09 junho, 2011
Misancene
Este frio que se faz n'alma
que ao vento é alheio
e que da chuva não tem senão
a parecência em conta-gotas
que se vai escorrendo
Este frio que vai estremecendo
e fazendo doer até o que não se sente
calor ausente que faz exangue
cada dia, cada hora, cada momento
É frívolo sentimento
parco senão melancólico e efêmero
misancene d'alma lírica
que do lamento faz poesia e do sentir
(que ora se sente)
faz mentir até o amor, contrapartido
numa verborragia renitente!
Monica San
que ao vento é alheio
e que da chuva não tem senão
a parecência em conta-gotas
que se vai escorrendo
Este frio que vai estremecendo
e fazendo doer até o que não se sente
calor ausente que faz exangue
cada dia, cada hora, cada momento
É frívolo sentimento
parco senão melancólico e efêmero
misancene d'alma lírica
que do lamento faz poesia e do sentir
(que ora se sente)
faz mentir até o amor, contrapartido
numa verborragia renitente!
Monica San
Traçado II
Tempo que voa - a toa
vida que tece - breve
teia que trama - aranha
pernas pra que te quero
vento que sopra - canta
sonho que leva - enleva
nó que se faz - garganta
grito pra que te quero
hoje que urge - ontem
norte que aponta - apronta
olho que alcança - lança
sorte pra que te quero!
Monica San
vida que tece - breve
teia que trama - aranha
pernas pra que te quero
vento que sopra - canta
sonho que leva - enleva
nó que se faz - garganta
grito pra que te quero
hoje que urge - ontem
norte que aponta - apronta
olho que alcança - lança
sorte pra que te quero!
Monica San
04 junho, 2011
03 junho, 2011
Desse amor
Se teu amor do meu é cativo
e tua alma em mim fez morada
amo-te assim, sem compromisso
sempre tua, sempre encantada.
Monica San
"Allegro ma non troppo"
Sorrindo a vida é leve
levando a vida sorrio
e num descuido breve
num canto alegre sou rio
rio que vai levando
vento que vai ventando
vida que vai passando
alegro em desvario!
A vida é um breve canto
em notas e desacordes
as águas vão entoando
canções nas cordas do vento
e a vida que vai passando
ora é dor, ora contento!
Monica San
levando a vida sorrio
e num descuido breve
num canto alegre sou rio
rio que vai levando
vento que vai ventando
vida que vai passando
alegro em desvario!
A vida é um breve canto
em notas e desacordes
as águas vão entoando
canções nas cordas do vento
e a vida que vai passando
ora é dor, ora contento!
Monica San
26 maio, 2011
"La vie en rose"
Algumas vezes é preciso despir-se de todo ranço, desfazer-se dos cantos e frestas de estimação que acumularam contas atrasadas, promessas amarrotadas, pedaços de sonhos esquecidos, para sentir-se apenas viva.
Então ela dança.
Na velha vitrola, companheira dos momentos a sós, Piaf ainda lhe segreda sobre os amores, as desilusões, o sucesso, a dor.
São cúmplices na melancolia que percorre os cômodos agora vazios e imensos, maiores, muito maiores do que a solidão, antes tão temida agora tão íntima e leve. Como leves são os movimentos dos pés descalços que rodopiam pelo salão, deslizam, saltitam, e acompanham incansáveis o vai e vem das mãos delicadas e firmes (ainda), apesar dos pesares.
Nada de escritos hoje, nada das letras rígidas, dos pensamentos medidos, dos desabafos contidos (nunca se diz realmente o que se deseja dizer). Ah, o hiato, há sempre um hiato a incomodar a razão castigada pelo tempo. Razão que aprisiona quando o desejo é libertar.
Mas hoje não. Hoje não há melancolia nas palavras (não nas palavras), nem tristeza, nem razão.
Só a música e a solidão, rodopiando pelos cômodos vazios e imensos. E toda a cumplicidade de quem se sabe, de quem realmente se sabe viva.
Amanhã é outro dia e... quem sabe amanhã... a vida amanheça rosa.
Monica San
Então ela dança.
Na velha vitrola, companheira dos momentos a sós, Piaf ainda lhe segreda sobre os amores, as desilusões, o sucesso, a dor.
São cúmplices na melancolia que percorre os cômodos agora vazios e imensos, maiores, muito maiores do que a solidão, antes tão temida agora tão íntima e leve. Como leves são os movimentos dos pés descalços que rodopiam pelo salão, deslizam, saltitam, e acompanham incansáveis o vai e vem das mãos delicadas e firmes (ainda), apesar dos pesares.
Nada de escritos hoje, nada das letras rígidas, dos pensamentos medidos, dos desabafos contidos (nunca se diz realmente o que se deseja dizer). Ah, o hiato, há sempre um hiato a incomodar a razão castigada pelo tempo. Razão que aprisiona quando o desejo é libertar.
Mas hoje não. Hoje não há melancolia nas palavras (não nas palavras), nem tristeza, nem razão.
Só a música e a solidão, rodopiando pelos cômodos vazios e imensos. E toda a cumplicidade de quem se sabe, de quem realmente se sabe viva.
Amanhã é outro dia e... quem sabe amanhã... a vida amanheça rosa.
Monica San
25 maio, 2011
22 maio, 2011
Desaforozinho
Um dia ainda beijo um sapo
(só de birra)
não que eu acredite em príncipe encantado
mas posso (não posso?)
me apaixonar por um batráquio.
(só de birra)
não que eu acredite em príncipe encantado
mas posso (não posso?)
me apaixonar por um batráquio.
Monica San
18 maio, 2011
Conclusiva II
Ainda me pergunto onde moram
a sutileza dos olhares que se entrecortam
e a delicadeza das mãos que tateiam arrepios...
nem todo romantismo é careta
nem todo erotismo é vazio.
Monica San
a sutileza dos olhares que se entrecortam
e a delicadeza das mãos que tateiam arrepios...
nem todo romantismo é careta
nem todo erotismo é vazio.
Monica San
Composição
E se eu te pedir
que me esqueça
dentro de um abraço?
E nesse teu abstrato
que eu seja parte
que eu seja arte
que eu seja traço.
Monica San
09 maio, 2011
Peleja
...e a vida que de imensa
num sopro se faz mistério
é assim feito o infinito
que aos olhos perde a noção
de tanto que é indizível
e não se mede na mão
é palmo a palmo um segredo
de tão imenso faz medo
confunde até a razão
...e a vida que é tão bonita
essa mesma as vezes sofrida
escorre por entre vãos
é tempo que não se para
relógio que não desanda
batida que ora dispara
e não se colhe nas mãos
...e a gente que não entende
vasculha a compreensão
no oco do fim do mundo
teorizando de um tudo
tentando explicar contudo
os mistérios da criação
Quem sou eu, quem é você?
De que barro fomos feitos?
quanto pode isso valer
se de tão imperfeitos que somos
as vezes nem nos fiamos
em nosso próprio querer?
pobre homem tão confuso
tão perdido e obtuso
nem sempre sabe o que busca
mas mata, humilha e ofusca
em nome de um tal saber.
Monica San
num sopro se faz mistério
é assim feito o infinito
que aos olhos perde a noção
de tanto que é indizível
e não se mede na mão
é palmo a palmo um segredo
de tão imenso faz medo
confunde até a razão
...e a vida que é tão bonita
essa mesma as vezes sofrida
escorre por entre vãos
é tempo que não se para
relógio que não desanda
batida que ora dispara
e não se colhe nas mãos
...e a gente que não entende
vasculha a compreensão
no oco do fim do mundo
teorizando de um tudo
tentando explicar contudo
os mistérios da criação
Quem sou eu, quem é você?
De que barro fomos feitos?
quanto pode isso valer
se de tão imperfeitos que somos
as vezes nem nos fiamos
em nosso próprio querer?
pobre homem tão confuso
tão perdido e obtuso
nem sempre sabe o que busca
mas mata, humilha e ofusca
em nome de um tal saber.
Monica San
08 maio, 2011
Levada
Te conto um conto
você me dá um sorriso
e a vida levada
solta vai nesse riso
rio que leva o siso
e leve lava o que for
preciso ou impreciso.
Monica San
você me dá um sorriso
e a vida levada
solta vai nesse riso
rio que leva o siso
e leve lava o que for
preciso ou impreciso.
Monica San
01 maio, 2011
Prognóstico
Tenho vivido dias que entalam na garganta, absolutamente intragáveis. "Dias antibióticos para males insistentes".
Meu organismo resiste ao tempo, não aceita tratamento e ainda responde:
- Quer a pureza curativa, quer o amor que liberte sem efeitos colaterais, quer amar irremediavelmente até que a vida defina seu curso.
A febre é galopante e os delirios beiram a loucura.
Monica San
Meu organismo resiste ao tempo, não aceita tratamento e ainda responde:
- Quer a pureza curativa, quer o amor que liberte sem efeitos colaterais, quer amar irremediavelmente até que a vida defina seu curso.
A febre é galopante e os delirios beiram a loucura.
Monica San
Por toda vida
Procuro um amor que se esconde
onde a palavra é doce,
os olhos são ternos
e onde as mãos plantam liberdade.
Monica San
onde a palavra é doce,
os olhos são ternos
e onde as mãos plantam liberdade.
Monica San
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