15 fevereiro, 2011
De mente
Se rio
sou rio de risos
só rio, não minto
sorrio se sinto
Se minto
só mente a mente
se mente conflito
somente
só, rio.
Monica San
03 fevereiro, 2011
(Des)gosto
Tão doce quanto
incerto e breve
tão certo quanto
acre e fica
saliva amarga
lágrima perdida.
Monica San
26 janeiro, 2011
Cinzas
Plúmbeos são os dias
que se desenrolam
na língua que se enrola
ao cinza da rotina
Não profere nem determina
coisa alguma.
Desconforto
que acinzenta a vida
no silêncio que cinge
e na dormência da alma
que ferida finge
Nem noite nem dia
língua morta, exílio, afasia.
Monica San
que se desenrolam
na língua que se enrola
ao cinza da rotina
Não profere nem determina
coisa alguma.
Desconforto
que acinzenta a vida
no silêncio que cinge
e na dormência da alma
que ferida finge
Nem noite nem dia
língua morta, exílio, afasia.
Monica San
Pacto
Rasgo no verbo encarnado
entranhas e sedas
corrompidas e corroídas
em estranhas lavras
Lavo o sangue
e na língua corrosiva
escamoteio.
Me lambe
e segreda-me os meios
(não sou de confiança?)
Sabes-me
bem mais que os seios.
Monica San
entranhas e sedas
corrompidas e corroídas
em estranhas lavras
Lavo o sangue
e na língua corrosiva
escamoteio.
Me lambe
e segreda-me os meios
(não sou de confiança?)
Sabes-me
bem mais que os seios.
Monica San
09 janeiro, 2011
Sentido
De repente era na língua
assim, a novidade
a certeza do laço
o traço tanto incerto
quanto marcado.
De repente era no braço
assim, o gosto largo
do fogo e do afago
o lastro d'alma
trazendo dias calmos.
E de repente
era nada
um fio d'água
no cristal partido
De repente, assim...
Monica San
assim, a novidade
a certeza do laço
o traço tanto incerto
quanto marcado.
De repente era no braço
assim, o gosto largo
do fogo e do afago
o lastro d'alma
trazendo dias calmos.
E de repente
era nada
um fio d'água
no cristal partido
De repente, assim...
Monica San
20 dezembro, 2010
De pesares e de quereres
Mesmo que seja noite, por trás de todas as horas
e o tempo não valha a morte que encerra essa caminhada
mesmo que pese aos olhos o breu da noite embotada
e o corpo quede, esparso, no arrego da longa estrada
Ainda assim haja sonhos que os olhos não adormeçam
e beijos de amor carregados, que os lábios jamais esqueçam.
Monica San
e o tempo não valha a morte que encerra essa caminhada
mesmo que pese aos olhos o breu da noite embotada
e o corpo quede, esparso, no arrego da longa estrada
Ainda assim haja sonhos que os olhos não adormeçam
e beijos de amor carregados, que os lábios jamais esqueçam.
Monica San
Contação
13 dezembro, 2010
Drama, ato único
Nada do que salta à língua é pleno, nada do que salta aos olhos é real, nada do que me explode em cólicas e grito é o que realmente me vem explícito à mente. Mente minha língua mesmo quando afiada, é faca que não corta nem água.
Implodo tantas e tantas vezes ao dia que sou escombros de mim ao longo do que nem sei ao certo se um dia foi chão firme ou sempre deserto.
Se grito sou eco perdido na imensidão, se choro, senão.
Se poeta me sinto, minto; a poesia que eclode é sintoma, não mais que isso. Doença terminal de quem ama a despeito das rimas contrárias.
Se dói é porque sinto, se sinto é porque amo, se amo não minto mas inflamo e ardo como se lentamente morresse.
Como se a poesia me valesse doer até o fim.
E no fim, como se um ponto realmente definisse o indefinível, verso o ocaso como se o sol não mais viesse.
E morro, todos os dias, como se poeta fosse.
Monica San
Implodo tantas e tantas vezes ao dia que sou escombros de mim ao longo do que nem sei ao certo se um dia foi chão firme ou sempre deserto.
Se grito sou eco perdido na imensidão, se choro, senão.
Se poeta me sinto, minto; a poesia que eclode é sintoma, não mais que isso. Doença terminal de quem ama a despeito das rimas contrárias.
Se dói é porque sinto, se sinto é porque amo, se amo não minto mas inflamo e ardo como se lentamente morresse.
Como se a poesia me valesse doer até o fim.
E no fim, como se um ponto realmente definisse o indefinível, verso o ocaso como se o sol não mais viesse.
E morro, todos os dias, como se poeta fosse.
Monica San
17 novembro, 2010
Nós
Com efeito
não se param ponteiros
por mais que perfeitos
sejam o tempo
ou o verbo
não se desfazem nós
sem aparte
e a parte que me toca
são os nós que de nós
se fazem
Com efeito
não há futuro perfeito
ou mais que isso
mas presentes
enlaçados por nós.
Monica San
não se param ponteiros
por mais que perfeitos
sejam o tempo
ou o verbo
não se desfazem nós
sem aparte
e a parte que me toca
são os nós que de nós
se fazem
Com efeito
não há futuro perfeito
ou mais que isso
mas presentes
enlaçados por nós.
Monica San
31 outubro, 2010
Insaciedade
Bússola
Acolho entre as pernas
o sal do teu corpo
somos mar
a revelia um do outro
se amar nos concerne
somos vento
em vela soprando...
e então somos rumo.
Monica San
23 outubro, 2010
Decisão
"Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida." J. Saramago
Decidir nosso destino numa urna, colocar o futuro em mãos incertas na esperança de que outrém faça por nós o que nós mesmos não somos capazes de fazer. Cuidar da vida.
É bem mais fácil esperar pela providência divina ou dependurar nossas expectativas no ombro alheio do que acordar para o tamanho de nossa responsabilidade dentro do atual cenário que vislumbramos.
É certo que uma população de milhões precisa de representantes para as tarefas mais difíceis, para as decisões que demandam o uso e o conhecimento de leis, estratégias econômicas, diplomacia no trato com outros governos de outros países, e outras tantas atribuições que recaem sobre os ombros daqueles que se aventuram a abraçar as causas políticas.
Mas na verdade, os maiores complicadores destas decisões e ações são nossas próprias atitudes. Tornamos a vida bem mais difícil do que ela realmente é. E atribuímos às suas dificuldades as nossas derrotas e revoltas, quase nunca reconhecendo nossas falhas e nossa incapacidade de lidar com o simples.
A questão é mundial, é humana, o homem trocou seus valores pessoais por conceitos fabricados, trocou sua dignidade por moedas, e aprendeu a vender a vida, seu único bem, a preço de banana. (levando-se em conta aqui, apenas o valor monetário da fruta e não o valor nutritivo,o único real). E foi o próprio homem quem começou tudo isso, não se sabe bem quando nem como.
Mas o que realmente deveria interessar é o "acordar" destes valores perdidos, o despertar para o simples, para o essencial.
O cuidar de um filho, por exemplo, como um presente de Deus, não como uma árdua tarefa ou obrigação. O cuidar da natureza como a manutenção da vida, como preparar um futuro que apesar de incerto, pode ser sempre melhor. O cuidar do "outro" como se a si mesmo estivesse cuidando, pois que "não há vida que independa de outra vida".
Meu desprezo aqui, pode custar uma vida do outro lado do mundo.
Não importa quem venha a governar este país, se não tomarmos a única decisão que realmente importa: acordar para o que se perdeu e reaprender a cuidar da vida.
Decidir nosso destino numa urna, colocar o futuro em mãos incertas na esperança de que outrém faça por nós o que nós mesmos não somos capazes de fazer. Cuidar da vida.
É bem mais fácil esperar pela providência divina ou dependurar nossas expectativas no ombro alheio do que acordar para o tamanho de nossa responsabilidade dentro do atual cenário que vislumbramos.
É certo que uma população de milhões precisa de representantes para as tarefas mais difíceis, para as decisões que demandam o uso e o conhecimento de leis, estratégias econômicas, diplomacia no trato com outros governos de outros países, e outras tantas atribuições que recaem sobre os ombros daqueles que se aventuram a abraçar as causas políticas.
Mas na verdade, os maiores complicadores destas decisões e ações são nossas próprias atitudes. Tornamos a vida bem mais difícil do que ela realmente é. E atribuímos às suas dificuldades as nossas derrotas e revoltas, quase nunca reconhecendo nossas falhas e nossa incapacidade de lidar com o simples.
A questão é mundial, é humana, o homem trocou seus valores pessoais por conceitos fabricados, trocou sua dignidade por moedas, e aprendeu a vender a vida, seu único bem, a preço de banana. (levando-se em conta aqui, apenas o valor monetário da fruta e não o valor nutritivo,o único real). E foi o próprio homem quem começou tudo isso, não se sabe bem quando nem como.
Mas o que realmente deveria interessar é o "acordar" destes valores perdidos, o despertar para o simples, para o essencial.
O cuidar de um filho, por exemplo, como um presente de Deus, não como uma árdua tarefa ou obrigação. O cuidar da natureza como a manutenção da vida, como preparar um futuro que apesar de incerto, pode ser sempre melhor. O cuidar do "outro" como se a si mesmo estivesse cuidando, pois que "não há vida que independa de outra vida".
Meu desprezo aqui, pode custar uma vida do outro lado do mundo.
Não importa quem venha a governar este país, se não tomarmos a única decisão que realmente importa: acordar para o que se perdeu e reaprender a cuidar da vida.
13 outubro, 2010
Solitude
Dia pálido, esquálido e mudo
tão inútil quanto absurdo
até a última gota
e outros tantos virão
agonizantes e intermináveis
dias dobráveis
hermeticamente acondicionáveis
neste "estar no mundo"
dias passáveis
salvos por noites incontáveis
em que só, se é de um tudo.
Monica San
tão inútil quanto absurdo
até a última gota
e outros tantos virão
agonizantes e intermináveis
dias dobráveis
hermeticamente acondicionáveis
neste "estar no mundo"
dias passáveis
salvos por noites incontáveis
em que só, se é de um tudo.
Monica San
12 outubro, 2010
Artimanha
Essa inocência silenciosa
que no verso é prosa
morna e lenta
essa malemolência sem jeito
e sem proveito
que se perde nos vãos
escorre vontades
por cantos velados
e arde
Esse silêncio
é balbúrdia e é alarde
paz sem parte alguma
é pura arte.
Monica San
que no verso é prosa
morna e lenta
essa malemolência sem jeito
e sem proveito
que se perde nos vãos
escorre vontades
por cantos velados
e arde
Esse silêncio
é balbúrdia e é alarde
paz sem parte alguma
é pura arte.
Monica San
08 outubro, 2010
Na onda
Surfista de lotação. Sorria, assim, como se a onda o levasse a outras ondas. E a platéia, ainda que não o aplaudisse, seguia com os olhos indignada.
Era o seu momento êxtase (ou crak), em ondas gigantes.
Eu, em mim, despertava o momento ira. Raiva do mundo, raiva da vida, raiva da onda.
Dessa "onda" de permissividade coletiva.
Dos olhos que nada vêm, e das mãos que nada fazem.
Da justiça, que às cegas, tateia.
Monica San
Era o seu momento êxtase (ou crak), em ondas gigantes.
Eu, em mim, despertava o momento ira. Raiva do mundo, raiva da vida, raiva da onda.
Dessa "onda" de permissividade coletiva.
Dos olhos que nada vêm, e das mãos que nada fazem.
Da justiça, que às cegas, tateia.
Monica San
19 setembro, 2010
Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida. (J Saramago)
Por mais que a poesia me encante e me consuma, para minha sorte, já que sem ela eu sou (me sinto) um pouco menos que nada, algumas vezes se faz necessário deixar o encantamento de lado e falar sobre os desencantos da vida que também fazem parte do "ser humano".
Sigo no twiter (ainda a passos lentos) o Juíz Evandro Pelarin, da cidade de Fernandópolis que adotou em 2005 o "toque de acolher", uma medida que vem reduzindo não só a presença de menores em situações de risco nas ruas, mas também os índices de criminalidade juvenil.
Posto a seguir alguns trechos do texto postado em seu blog há três dias atrás, e recomendo a leitura não apenas deste mas de vários onde pode-se acompanhar a seriedade de seu trabalho, a preocupação e o cuidado com assuntos delicados e urgentes de serem pensados e solucionados, e os resultados que vêm sendo obtidos quando estes cuidados são colocados em prática.
"...atualmente, existe uma ameaça real e crescente que aterroriza todo o Brasil, e não apenas nossa cidade. São as drogas, que vêm destruindo a juventude, suas famílias e a sociedade, fazendo-nos reféns de doentes drogados e, principalmente, de traficantes que se valem de atos criminosos extremamente graves, como homicídios, roubos violentos e estupros. Tudo isso tem o poder de provocar pânico e efeito paralisante. Mas, não entre nós, que decidimos lutar e enfrentar esse mal com toda a nossa força, sempre rogando a proteção de Deus e sob o império da lei.
E pela responsabilidade cristã e aquela que a lei nos atribui, passados cinco anos, nós não apenas alertamos a população e as famílias fernandopolenses. Assim como nos ensinou o antigo morador da ‘PM 10 Downing Street’, nós adotamos medidas concretas, efetivas, para tentar afastar o mal de nosso meio. Para tanto, o toque de acolher, o toque escolar, a permanente vigilância aos maus tratos às crianças por meio do SIBE (síndrome do bebê espancado), a inclusão de menores carentes no mercado de trabalho e o tratamento de menores viciados nas melhores clínicas de recuperação do Estado são algumas das medidas aqui implementadas, cuja finalidade última é a segurança social, à medida que se valoriza a família, a escola, o trabalho e a paz."
"Nossas adversidades, contudo, não são apenas as drogas e seus crimes. Há pessoas e autoridades, nesta cidade e fora daqui, que, ou por desdenhar da força dos entorpecentes e dos crimes que os envolvem, ou por entender que nós é que estamos sempre errados, ou por outras razões, entre elas, talvez, algumas no campo das vaidades, ao invés de se ajuntarem a nós, em nossa luta, essas pessoas e autoridades combatem o nosso esforço; e assim o fazem, em várias frentes, sistematicamente. Isso dificulta, sobremaneira, a nossa tarefa; pois, além do foco principal de nosso trabalho, ainda temos que dispor de tempo para responder a algumas acusações que nos lançam."
"De todo o modo, e mesmo assim, afirmamos, e cada vez com mais fôlego, que um sério e terrível espectro nos ronda. São as drogas, que alavancam crimes e mais crimes, não escolhendo classe social, sexo, cor ou idade entre suas vítimas. E mesmo diante de todas as dificuldades e contrariedades, temos que manter a fé, a confiança e o nosso trabalho em curso que, certamente, não cessa, não esmorece."
Evandro Pelarin
Para ler o texto na íntegra, acesse: Blog do Evandro Pelarin
Sigo no twiter (ainda a passos lentos) o Juíz Evandro Pelarin, da cidade de Fernandópolis que adotou em 2005 o "toque de acolher", uma medida que vem reduzindo não só a presença de menores em situações de risco nas ruas, mas também os índices de criminalidade juvenil.
Posto a seguir alguns trechos do texto postado em seu blog há três dias atrás, e recomendo a leitura não apenas deste mas de vários onde pode-se acompanhar a seriedade de seu trabalho, a preocupação e o cuidado com assuntos delicados e urgentes de serem pensados e solucionados, e os resultados que vêm sendo obtidos quando estes cuidados são colocados em prática.
"...atualmente, existe uma ameaça real e crescente que aterroriza todo o Brasil, e não apenas nossa cidade. São as drogas, que vêm destruindo a juventude, suas famílias e a sociedade, fazendo-nos reféns de doentes drogados e, principalmente, de traficantes que se valem de atos criminosos extremamente graves, como homicídios, roubos violentos e estupros. Tudo isso tem o poder de provocar pânico e efeito paralisante. Mas, não entre nós, que decidimos lutar e enfrentar esse mal com toda a nossa força, sempre rogando a proteção de Deus e sob o império da lei.
E pela responsabilidade cristã e aquela que a lei nos atribui, passados cinco anos, nós não apenas alertamos a população e as famílias fernandopolenses. Assim como nos ensinou o antigo morador da ‘PM 10 Downing Street’, nós adotamos medidas concretas, efetivas, para tentar afastar o mal de nosso meio. Para tanto, o toque de acolher, o toque escolar, a permanente vigilância aos maus tratos às crianças por meio do SIBE (síndrome do bebê espancado), a inclusão de menores carentes no mercado de trabalho e o tratamento de menores viciados nas melhores clínicas de recuperação do Estado são algumas das medidas aqui implementadas, cuja finalidade última é a segurança social, à medida que se valoriza a família, a escola, o trabalho e a paz."
"Nossas adversidades, contudo, não são apenas as drogas e seus crimes. Há pessoas e autoridades, nesta cidade e fora daqui, que, ou por desdenhar da força dos entorpecentes e dos crimes que os envolvem, ou por entender que nós é que estamos sempre errados, ou por outras razões, entre elas, talvez, algumas no campo das vaidades, ao invés de se ajuntarem a nós, em nossa luta, essas pessoas e autoridades combatem o nosso esforço; e assim o fazem, em várias frentes, sistematicamente. Isso dificulta, sobremaneira, a nossa tarefa; pois, além do foco principal de nosso trabalho, ainda temos que dispor de tempo para responder a algumas acusações que nos lançam."
"De todo o modo, e mesmo assim, afirmamos, e cada vez com mais fôlego, que um sério e terrível espectro nos ronda. São as drogas, que alavancam crimes e mais crimes, não escolhendo classe social, sexo, cor ou idade entre suas vítimas. E mesmo diante de todas as dificuldades e contrariedades, temos que manter a fé, a confiança e o nosso trabalho em curso que, certamente, não cessa, não esmorece."
Evandro Pelarin
Para ler o texto na íntegra, acesse: Blog do Evandro Pelarin
18 setembro, 2010
A espera das flores
Quando enfim os botões q'inda estão entreabertos
alargarem sorrisos nos lábios incertos
Quando os tons de carmim que outrora cingidos
se fizerem presentes nos lábios unidos
Há de ser primavera rendendo o outono
desfazendo no abraço os nós do abandono
Há de o canto das aves soar na alvorada
anunciando que é tempo de amar e mais nada
Quando houver o meu riso no teu desaguado
corredeira dos sonhos há tanto dormidos
e no amor nos fizermos de dois um só ato
saberei das manhãs que jamais floresciam
que eram noites dormentes de olhares perdidos
e que em vãos eloquentes às flores bramiam.
Monica San
"Ora pro nobis"
Rogo-te que me valha em socorro
no apelo destas linhas que discorro
Dai tino a essa gente tão incauta!
Oh, santa e boa prudência divina,
que os pobres de espírito perscruta
livrai-os da sandice absoluta
salvai-os dessa triste e reles sina
Que em tempo não se percam pelas vias
que as mentes submetem ao vazio
e as almas subvertem em agonias
Que sejam estes pobres perdoados
da vida em profundo desvario.
Dai lida a estes vãos desocupados!
Monica San
28 agosto, 2010
Destempero
O que nunca para
ora dispara
ora estanca
o que nunca anda
ora parece voar
Esse mesmo que dá
também sabe tirar
Maldito Senhor das horas!
Ai de mim,
que não tenho asas!
Ai das horas
que não sei calar.
Monica San
03 julho, 2010
Cale-se
Um grito atordoante.
O eco percorreu o córtex e calou.
Agora o silêncio me espreita.
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)
Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)
O eco percorreu o córtex e calou.
Agora o silêncio me espreita.
Cálice
Chico Buarque
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)
Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escutaDe que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutadoEsse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...
Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)
23 junho, 2010
Maresia
Uma onda se agiganta
e na orla o pequeno grão
mareia, mareia
tão pequeno mar a dentro
(marzão de vida)!
mar a dentro
mar a fora
mareia, mareia
ora vazante
ora cheia.
Monica San
e na orla o pequeno grão
mareia, mareia
tão pequeno mar a dentro
(marzão de vida)!
mar a dentro
mar a fora
mareia, mareia
ora vazante
ora cheia.
Monica San
19 junho, 2010
Des(a)tino
É um sem sossego tão irritante,
que de marasmo mareja.
Desassossego na inércia é contrasenso.
Que senso em tanto desatino?
Desatinar em consenso
é desafinar no próprio fio,
no meio fio,
no fio condutor
que condiz mas não conduz a nada.
Des/fia,des/afia,des/ata.
Des/propósito mesmo
é estar cheia de nada,
vazia de tudo
e de palavras sem nexo
e sexo sem palavras
estar complexo
nesse sem fim de estrada.
Monica San
que de marasmo mareja.
Desassossego na inércia é contrasenso.
Que senso em tanto desatino?
Desatinar em consenso
é desafinar no próprio fio,
no meio fio,
no fio condutor
que condiz mas não conduz a nada.
Des/fia,des/afia,des/ata.
Des/propósito mesmo
é estar cheia de nada,
vazia de tudo
e de palavras sem nexo
e sexo sem palavras
estar complexo
nesse sem fim de estrada.
Monica San
03 junho, 2010
"C'est la vie"
Há dias em que só a morte parece fazer sentido.
Não que haja um desejo real em desfazer-se do corpo, ou das penas e dos pesos de se estar vivo, mas uma necessidade tão grande e gritante de fechar-se o todo em copas e ser nada mais do que um vulto passado. Deixar-se encerrar sem que as contas sejam feitas, os pesos medidos e as arestas aparadas.
Ser apenas mais um sopro, que cessou num suspiro último de alívio, ou de dor.
Há dias, em que morrer é mera questão de cerrar os olhos pois que a alma já fenece enquanto os dias correm e as noites se deitam sobre o corpo cansado.
Mas quão difícil se faz cerrar os olhos quando o corpo, ainda que abatido, insiste em pulsar.
(Ouvindo La Vie en rose... já que pulsa, aproveita pra sonhar)
Monica San
Não que haja um desejo real em desfazer-se do corpo, ou das penas e dos pesos de se estar vivo, mas uma necessidade tão grande e gritante de fechar-se o todo em copas e ser nada mais do que um vulto passado. Deixar-se encerrar sem que as contas sejam feitas, os pesos medidos e as arestas aparadas.
Ser apenas mais um sopro, que cessou num suspiro último de alívio, ou de dor.
Há dias, em que morrer é mera questão de cerrar os olhos pois que a alma já fenece enquanto os dias correm e as noites se deitam sobre o corpo cansado.
Mas quão difícil se faz cerrar os olhos quando o corpo, ainda que abatido, insiste em pulsar.
(Ouvindo La Vie en rose... já que pulsa, aproveita pra sonhar)
Monica San
18 maio, 2010
(Par)seria
(Par)seria
Desfeitos
nós
soltos
pares apartes
pontes partidas
pontas perdidas
sós
apenas
partes do todo
pares da vida.
Monica San
Desfeitos
nós
soltos
pares apartes
pontes partidas
pontas perdidas
sós
apenas
partes do todo
pares da vida.
Monica San
08 maio, 2010
Dia das mães
Seis meses, e ainda falta lógica.
E sobram saudades, muitas saudades.
No sorriso que ainda se faz presente
compenso meu dia das mães
e me espelho.
É tanta luz, é tanto amor
tanta saudade.
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