26 fevereiro, 2009

Albatroz errante

Gritei sem eco um grito esquecido
chorei em vida por não ter vivido
busquei no amor a verdade escondida
mentindo amores perdi a partida

Sou albatroz desses mares, errante
sou caçador, minha presa sou eu

Um albatroz em seu vôo rasante
buscando a parte que o todo esqueceu.

Sangrei as dores de um parto sem filho
falei de amores num palco vazio
singrei os mares de mil tempestades
calei mil vozes, sangrei cem saudades

Sou albatroz desses mares, errante
sou caçador, minha presa sou eu

Um albatroz em seu vôo rasante
buscando a parte que o todo esqueceu.

Um dia parto num vôo rasante
faço de um grito meu eco gigante
rasgo as cortinas do céu num rompante
encontro a parte que em mim se perdeu!

Sou albatroz desses mares, errante
sou caçador, minha presa sou eu.

Monica San

(Clique sobre a imagem para visualizar no tamanho original)

23 fevereiro, 2009

Elegia


Eu quero é botar o meu bloco na rua...

Tenho tentado aprender o que significa ser de fato uma escritora. Não que eu não saiba qual a importância da literatura em nossas vidas, e mais, a importância da língua na vida de cada ser humano. Mas, individualmente, particularmente, há uma diferença grande entre saber o que significa e realmente vivenciar isso na pele.
Muitas vezes a quantidade de informações e assuntos que podem ser abordados é tão grande e diversificada que forma-se um emaranhado confuso e difícil de ser organizado em nossa mente.

Escrevo poemas, sou substancialmente poeta (ainda em fase de construção), mas sem hipocrisias do tipo "eu não sou poeta" ou "poeta? quem me dera?", não, isso seria ridículo. Sou porque me sinto assim, gosto e quero ser, a despeito de ser ou não considerada poeta por quem de fato o é. Acredito hoje, que ser poeta é mais do que um título ou conceito, é um estado de espírito, é uma forma de ver a vida que não se limita ao espaço alcançado por meus olhos, que transcende o espaço físico, que penetra a alma ou ao menos busca isso, e busca justamente por acreditar ser capaz.

Mas acredito realmente ser capaz de ousar ainda mais. Acredito e quero ser uma escritora de fato. E por onde eu começo? Quais os caminhos que devo trilhar? Onde buscar conhecimento suficiente pra ser reconhecida e respeitada? Em livros, jornais, revistas? Estudando, afundando-me em prateleiras de bibliotecas?
Ou talvez observando a vida, tentando conhecer melhor o ser humano, e a mim mesma, tentando entender como funciona essa imensa esfera azul e essa coisa chamada Homem, tão complexa, tão controversa, tão inconstante e que ainda não aprendeu a cuidar daquilo que ele pensa ser seu, mas não é.

É, é assim que pretendo ser escritora. Não hoje, não daqui há um ano, mas em todos os meus próximos dias. Absorvendo tudo o que me for possível, falando muito, e ouvindo ainda mais, ora errando ora acertando, sendo consciente e atuante naquilo que me torna cidadã, sendo política mas também poeta. Sendo eu mesma mas sem deixar de ser todas as outras personagens que me dão vida quando escrevo e acredito ser capaz de mudar o mundo.

Hoje, eu sou uma alma inquieta e angustiada. Decepcionada com a falsidade do ser humano, indignada com a hipocrisia de políticos e poderosos, revoltada com a impunidade que impera nesse país que eu tanto amo. Mas acima de tudo, insatisfeita comigo mesma por não fazer a diferença que gostaria, por dormir demais e não estar atenta ao quintal da minha própria casa, por me calar quando deveria falar e não ouvir quando deveria ouvir, e principalmente, por ser fraca quando deveria ser forte e por chorar quando deveria gritar.
Mas decidida a desatar todos os nós que esganam a minha garganta!

Monica San

(A expressão usada no título é tirada da música de mesmo nome, composição de Sérgio Sampaio)

17 fevereiro, 2009

Natimorto

Vazio e pálido é o leito
donde as palavras hoje não repousam
Secas e quase sem razão de ser
afundam-se no mais profundo exílio

Natimorto sem pátria ou origem
sem destino útil ou futuro
revolvem o útero mas não vingam
tornam-se excremento, fruto impuro

Fecundadas no prazer do absinto
que do amargo torpor eu já nem sinto
nem peso nem fedor das tais promessas

Viessem irromper o negro bucho
assim, de amor e de beleza carregadas
num parto que apartasse as horas vagas
vazias e supérfluas nasceriam

Pois, que ao tocar a imensidão do frio concreto
desterradas do calor que são fecundas
morreriam na vontade de ser gozo

Deixe então que permaneçam vãs, profundas
mas que expurguem a agonia desse corpo
ao tornarem-se dejectos d'um desejo
que jamais tocou-te os lábios sendo beijo

E que morram (enfim)...sem jamais terem jorrado!

Monica San








Lassidão

13 fevereiro, 2009

Dionisíaco

Boca que amaldiçôa, boca que esbraveja
boca na tua boca...Baco que nos proteja!

Se o vinho que vem da vinha é vida
e a vida que vem da orgia é vaga
a boca que a tua boca beija
num trago te sorve a língua, e traga!

É praga que pega fogo, é lava!

É língua que lava a alma e cala
é Boca que quando cala age
é praga que se propaga e verte
no verbo dos versos du Bocage.

Boca que amaldiçôa, boca que esbraveja
boca na tua boca...Baco que nos proteja!

Beijo que morde a fala, boca que interage
membro que intercala! Valha-me du Bocage!

Monica San







11 fevereiro, 2009

Desperdício

Às vezes tenho a sensação de estar gastando os meus melhores sorrisos, tão escassos ultimamente, iluminando vãos que não carecem ou por outra, não merecem alimentar-se de luz.
Meus abraços, já tão cansados, parecem estender-se em vão. Abarcando indiferenças e alentando a frieza das pedras.
Minhas mãos parecem acariciar espinhos...sangram em feridas abertas, antes que meus olhos alcancem as flores. Nem mesmo sei se há flores entre eles.
Tenho tocado com os lábios os olhares mais distantes, os sentimentos mais superficiais, as verdades mais cruéis.
Creio que me ensinaram a acreditar em Deus, quando deveriam ter-me ensinado a duvidar do homem.

Monica San

08 fevereiro, 2009

Soneto sacana

Da morte sempre temida ele zombava
queria sugar da vida o que lhe coubesse
que um féretro de responsa ele pagava
pra hora em que a derradeira enfim viesse.

Filósofo catedrático, boa casta
sonhava com os mistérios que vislumbrava
da morte tornou-se logo um entusiasta
enquanto na cana pura se embriagava.

O terno todo de linho já engomado
pisante italiano e pulmão inchado
o fígado carcomido nas carraspanas

entrega a sua vida o doidivanas.
Na lápide a inscrição de algum sacana
"Morreu de curiosidade mais um bacana!"

Monica San

Putrefacção

Tem um barulho infernal no meu silêncio sepulcral.
Acho que são os vermes fazendo o lanchinho da tarde.

Quem disse que os sentimentos
não se decompõem?

Monica San

Da falsidade que azeda minha língua


Tão ácidos quanto o suco ulceroso
que corrói as paredes estomacais
são os versos controversos que destilo
contra o ardil da tua farsa absurda

Não destino minha rima rasgada
a uma linha sequer do teu roteiro
não desentranho sentimentos nobres
para matá-los no teu palco grego

Não faço parte dessa tua tragédia
e não dôo minha arte à vendilhões ladinos
Da falsidade de que é feito teu brilho
quero o lustro, que trate a minha couraça

Contra ti, verme pútrido de ínfimo valor
destilo meus piores venenos
porque os melhores, curtidos em bom tempo
guardo como antidoto, contra teu olhar de pedra.

Monica San

Soneto Trágico

De um sentir tão descuidado fez surpresa
resvalando em tua foz os meus anseios
D'um querer atormentado de incertezas
fez a vida que me aparta e parte aos meios.

Sangro o corte desferido no esquerdo
ao direito lado posto e contraposto
se é errado o que sangra agora o peito
que direito tem o certo em contragosto?

Taquicardia que acelera e destempera
na sudorese que alucina ao pressentir
uma overdose dessa droga que me erra
num prognóstico de vida a se esvair.

Se é a morte o fim trágico do amante
nessa tragédia teu amor me fez errante!

Monica San

Soneto indeciso

Partindo-me ao meio agonizo em dores
parto que reparte meus cálidos anseios
ou mato esse amor, e livro os temores
ou deixo-o viver ardente entre meus seios!

Se trago desse amor até a gota ínfima
me perco embriagada no teu corpo úmido
insana lucidez confusa em verso e rima
querência de prazeres do teu membro túmido!

Se mato e desentranho esse amor tão lúbrico
me perco no vazio da ausência tua
perdida me encontro no teu jogo lúdico

em fuga distancio de buscar-te o corpo
mas caio em armadilha e me sinto nua...
não há como matar a parte que é meu todo!

Monica San

Soneto em clamor à morte

Dor que habita esse meu úmido olhar
que faz romper os laços dos meus medos
te peço que não deixes escapar
toda essa morte presa entre meus dedos

Oh! guardiã de todos meus segredos
te rogo que me venha abençoar
por sede a boca cede e eu também cedo
à noite que insiste em me abraçar

abarca-me nos braços taciturnos
penetra com tua palma a minha alma
inunda-me de ais e de esturros

que seja o breu da noite o meu leito
que finde nos teus braços minha calma
e que a morte me abrande enfim o peito!


Monica San e Lucas de Oliveira Gullar

Redenção

Preciso de uma morte pra curar o tédio.
Buscar nessa amplitude, o fim da imensidão...
Que um gole de veneno seja o meu remédio
na taça que transborde enfim a solidão!

Da falta de sentido, me livre a ingratidão
dos vermes que me cospem nesse sacrilégio!
Das culpas que me castram na expiação,
que seja minha morte então seu privilégio!

Que seja ela o coro pra sua canção!
E vertam dessa taça todos os meus medos!
E a morte seja um mote noutra oração...

Da prece angustiada feita em aflição,
Sussurros entre os prantos, risos e segredos
Daquele que apunhala o próprio coração!

[Monica San e Lucas de Oliveira Gullar]

Dissecação

Amaldiçoo esse verso parido
regurgitado do bucho e cuspido
Amaldiçoo esse verbo encardido
desconsolado e da língua banido.

Desassocio essa fala eloquente
que me confere esse tom prepotente
Desaproprio esse ar de contente
desse sorriso de gozo presente.

E sangro um parto de dores cravadas
e verto fel dessa alma amarga
e morro tanto, em tantos sabores

se morro sal, no meu mar dissabores!
Se morro mel nessa fonte que seca
cravo essa dor, que minha alma disseca!

Monica San

(In)consciência

Quem és tu vulto sem face, ave soturna?
Lanças olhares de pedra na minha sorte
Fulguras por entre frestas inoportuna
espias feito abutre cheirando a morte.

Estocas teus olhos frios em minha pele
procuras entre meus seios a tua alma
vasculhas por entre os meios o que revele
as linhas que te delatem na minha palma.

Quem és tu, para despir-me e sem pudores
revelar-me os segredos e os pecados
desferir-me em duro golpe os desamores?

Te afastas agourenta, não tens medida!
És vulto atrás do espelho, renegado
és a negra consciência que me avilta!

Monica San

Catavento



Corre, corre, menino
me leva na tua mão
corre contra esse vento
descalço, de pé no chão
Corre, corre, pequenino
deixa o vento me tocar
se enreda nesse meu giro
que o vento leva a tristeza
bota um sorriso no rosto
e faz essa vida girar!!

Monica San

Ilustração: Luciana Teruz

Pobre poesia

Perdem-se primas palavras
partem-se pensamentos perfeitos
pérolas para porcos
pérolas para poucos

parcos pedaços prevalecem

pobre poesia
padece petrificada.

Monica San

Sem a noite

07 fevereiro, 2009

Soneto da secretina


Ofício escolhido por prazer
de pernas que se cruzam no estilo
do tato no contato ao entrever
os olhos que eriçam o mamilo

Prazer do cumprimento com presteza
aberta às conjecturas do trabalho
servindo de deguste sobre a mesa
fiel e dedicada ao seu Carvalho.

Que riam as hienas do contrato
fechado e assinado noite adentro
selado em boa língua e fino trato

Aspones e hienas ao trabalho!
enquanto na fartura eu me contento
servindo e degustando o seu Carvalho!

Monica San

Ilustração: Renan Lima

Síntese

Não me procure em traços
ou formas agradáveis aos olhos
não há dignidade de artista
nos traços que me compõem

Sou um borrão do acaso
Obra órfã de hombridade.
Sou o refugo da inspiração
a paráfrase da imperfeição

Sou o estigma infeliz do mau traço
que macula num erro crasso
a folha virgem e o ventre são

Não me procure em traços
não me contenho em definições
Minha síntese é inconsistente
assim como suas traduções.

Monica San

Arco de Íris


Minha íris, menina, procura o tesouro
escondido no pé do arco dos sonhos
Mas a noite insiste em não amanhecer.
E ainda guarda pra si, os sonhos inacabados.

Essa menina, é Íris entre céu e terra...
de asas ao vento e de sonhos inacabados
E é virgem, da luz que os amanhece.

Por isso ainda sonha tesouros
e dorme ao relento da noite
que só faz amanhecer a mulher.

Monica San

Carn-aval

A avenida se prepara
na comunidade dispara
a bala, embala e abala
na avenida a porta
bandeira e o mestre sala
Vai a pé no tropé
fuzil, bala, camburão
pé no morro
samba no pé
vai puxando o cordão
repicando o enredo
no jogo de cintura
na cidade o medo
na avenida a mistura
sangue, suor e cerveja
alegria explode
bala craveja
É o carnaval que chegou
Foi o morro que sangrou
No Brasil da Globeleza!

Monica San

Imensurável

Qualquer micro-segundo desse tempo
desse meu tempo inútil
dessas minhas horas secas
desses meus dias ocos
qualquer milionésimo de um grão
que escorre nesse meu tempo vão
é infinitamente imenso.

É um buraco denso
sem fim, sem fundo...peso imundo
são horas carcomidas por vermes
doença galopante em estágio terminal
alimentada pela esclerose do tédio.

Qualquer tempo desse meu tempo
é imensidão, é vão profundo
é solidão...é vala, que enterra o mundo

Qualquer tempo desse meu tempo
é muito mais do que eu possa supor
é fim, que se sobrepõe à dor.

Monica San

Último ato

Encaro-vos, pois, pujante e destemida!
Sou, em vida, o que lhes alimenta a alma
sou o riso e o sarcasmo sobre o palco
sou as vestes que encobrem as feridas

Minhas dores são, aos vossos olhos secos
o ranço de um passado sem amores
aos dedos que me apontam os pecados
ofereço sob as vestes, as feridas e os ardores.

Enfiem vossos dedos no que resta dessa carne!
Vasculhem, farejem, cada palmo e cada palma
cuspam se quiserem sobre a sobra do que vale
que aos vermes que esperam, pouco cabe dessa alma.

Riam-se abutres! Com meus olhos joguem dados!
Banqueteiem-se das vísceras, bebam-me em taças
sôfregos, alucinados...arranquem-me a pele e os dentes
Mas meus seios...não, não os toquem, são doentes!

Seios intocados pelo amor tão desejado!
Que permaneçam assim...incólumes, virginais
doentes, desamados, hirtos...meus ais!

E assim, devorada sob a frieza do vosso olhar
e com os seios intactos como os de uma virgem
deixai cair o pano que encerra a minha história!

Não espero de vós aplausos tampouco glórias.

Apenas o fogo (ou o escárnio)
que acenda o meu último cigarro!
E da morte, espero o beijo...
que desflore enfim os meus seios

neste meu triste, e derradeiro ato.

Monica San

De amoras e de amores

No exílio do frio concreto
que teu corpo, do meu faz distante
o vento que a fresta corrompe
meu corpo fremente sustenta
com o hálito das tuas palavras

Há de chegar o dia
do não se conter à parte
do encontro à sombra, e das amoras
E a leoa por quem te assombras
te fará presa nas suas garras
Não te espantes com tal desfecho!

Deixe que ao pé da amoreira
sepultado, o amor de Píramo e Tisbe
(desventura de outrora)
torne-se então leito e adubo
de um novo porvir de amores
e de doces e rubras amoras.

Monica San
(poema inspirado na história de Píramo e Tisbe - mitologia grega)

Anjo da morte

Num esquife aveludado
macio e de carmim encarnado
ela se vê...

À sua volta
flores brancas perfumadas
o vestido de renda bordado
ás mãos o terço
de contas douradas.

Morta! Constata o fato.

Não sabe da hora ou do ato
do instante desolado
em que da vida despiu-se

Veste agora uma mortalha
é leito de pranto e dor
mas não sente...
tão leve, feito uma flor.

Tem ao seu lado um anjo
olhos da cor do mar
doce e terno acalento.

Morrer não é tão mau afinal
Sorri ao seu doce contento!

Os seios sente vibrar
os olhos lhe tocam
seu corpo responde
seu anjo arfante
deseja lhe amar.

O esquife torna-se leito
o anjo lhe cobre em beijos
e ali mesmo se amam!

Doce desvario aquele...
interrompido pelo tempo
tempo de despertar!

Do sonho. Doce sonho
que a morte lhe fez desejar!

Monica San

Vou pra onde o vento me levar


Foram tantas as noites rasgadas
Tantos sonos perdidos
e sonhos acalentados
tantos pensamentos sorvidos
e tantas palavras lançadas
e tantas madrugadas...
sem que o amor me tocasse

Tanto procurei em arestas
frestas, cantos e...desencantos
tanto mergulhei em prantos
quando desfiz encantos
e tanto, tanto desnudei a alma
e me perdi de mim...
e me perdi assim...sem nada

Tenho andado tão cansada...
pisoteando sobre meus cacos
sangrando os pés e a alma
esgotando-me em sal e água
Mas, o vento que passa rente
que me abarca e consola
parece que também chora...

quando meu corpo retém
e sopra (ao meu ouvido)
-triste lamento perdido-
que não tem amor também.

Monica San

Janelas - slide show

Janelas

Quantos pingos de vida são necessários
pra que os olhos alcancem o infinito
e num jorro translúcido daquilo que não se sabe
a paz não seja mais do que um lugar ao sol?

Esta janela escura, por onde a vida me escapa
e de onde as estrelas não tocam os meus olhos
amanhece o dia com a preguiça da noite mal dormida
E insiste...é preciso colorir os sonhos
e a cor está onde os meus olhos alcançam
sem janelas fechadas, nem escuridão
mas com olhos abertos e amor em porções

Esta minha janela é instável...ora é breu, ora é luz
mas agora, sempre aberta...
no vão do silêncio, vão as asas em busca do eco
que preencha as linhas nos momentos de breu
Mas quando o Sol adentra...e aquece meu ninho
sou janela pro infinito...sou passarinho, e sou grito.

Monica San

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